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Fórum das Mulheres Médicas: reflexões sobre a mulher na Medicina

Silvana Mourão Oliveira
Conselheira do CRM-MG

Em agosto, o CRM-MG realizou o Fórum das Mulheres Médicas, uma programação que nos fez olhar para muitos lugares: para a Medicina, para a trajetória das mulheres dentro dela, para a liderança, para a carreira e para a vida pessoal.

Mas isso já era esperado. Porque, quando reunimos mulheres, médicas ou não, assunto é que não nos falta.

O Fórum começou com uma discussão sobre os objetivos e as perspectivas da criação da Comissão de Mulheres Médicas do CFM e sobre a importância de levar essa discussão também aos Conselhos Regionais.

Talvez este tenha sido o primeiro grande recado do encontro: não basta que as mulheres estejam na Medicina. É preciso que estejam também nos espaços onde se pensa a Medicina, onde se decide a Medicina e onde se constrói o futuro da profissão.

Em seguida, foi apresentado um panorama da mulher na Medicina. E foi com alegria que constatamos que hoje somos uma parcela expressiva e crescente da profissão.

Ou seja, finalmente conseguimos entrar.

Agora estamos discutindo um detalhe: como ocupar todos os outros lugares?

Ao longo do Fórum, temas como maternidade, carreira e transformação da Medicina mostraram como as mulheres vêm ocupando espaços que, durante muito tempo, foram considerados predominantemente masculinos.

Fizeram isso quando entraram nas especialidades consideradas masculinas. Quando assumiram serviços. Quando começaram a ensinar. Quando passaram a chefiar equipes. Quando chegaram às diretorias, às academias, às sociedades médicas e aos Conselhos.

A diferença é que, durante muito tempo, fizeram tudo isso quase silenciosamente.

Por meio do Fórum, além de transformar, estamos começando a dar nome, voz e visibilidade a essa transformação.

Também falamos sobre o equilíbrio entre a carreira médica e a vida pessoal. Equilíbrio + carreira + vida pessoal na mesma frase. Só isso já demonstra a coragem científica do Fórum.

Porque talvez muitas de nós tenham participado do Fórum justamente para descobrir onde está esse equilíbrio. E, caso alguém o tenha encontrado, definitivamente, peço, que compartilhem a fórmula conosco.

Durante muito tempo, talvez tenhamos confundido competência com a capacidade de dar conta de tudo.

Talvez uma das maturidades que estamos conquistando seja perceber que equilíbrio não significa conseguir fazer tudo perfeitamente. Às vezes, significa escolher; às vezes, significa delegar; às vezes, significa dizer não. E, para muitas mulheres, aprender a dizer não talvez seja uma pós-graduação inteira.

Finalmente, falamos sobre liderança feminina na Medicina: desafios e perspectivas.

As mulheres já lideram há muito tempo. Lideram equipes, famílias, serviços, projetos e departamentos.

Mas ainda precisamos discutir por que, à medida que subimos na hierarquia dessas instituições, muitas vezes o número de mulheres vai diminuindo.

Não se trata de substituir uma Medicina comandada por homens por uma Medicina comandada por mulheres. Trata-se de construir uma Medicina em que competência, oportunidade e reconhecimento não dependam do gênero.

E talvez seja exatamente por isso que espaços como este Fórum são importantes.

Porque aqui podemos olhar para nossas conquistas sem ignorar os obstáculos. Podemos reconhecer o quanto avançamos sem fingir que chegamos ao destino. E podemos fazer tudo isso sem transformar homens e mulheres em adversários.

Afinal, a Medicina que queremos construir não será melhor porque será mais feminina ou mais masculina.

Será melhor porque será mais plural, mais justa, mais humana e capaz de aproveitar plenamente o talento de todos.

Como em todo Fórum, saímos com muitas perguntas. E acho que a principal é: como fazer para que, no futuro, alguns dos temas discutidos aqui não necessitem de um fórum específico, porque simplesmente terão se tornado parte natural da nossa realidade?

Talvez esse seja o nosso maior objetivo.

Até lá, continuaremos criando espaços, continuaremos conversando, continuaremos ocupando lugares. E, principalmente, continuaremos abrindo portas, procurando deixá-las um pouco mais abertas para as mulheres que vieram depois de nós.

E, depois de tudo que ouvimos, tenho a impressão de que trabalho não vai faltar.

Mas, sendo médicas, trabalho nunca foi exatamente algo que nos assustasse.

Quer rever essa conversa? Assista à gravação do Fórum das Mulheres Médicas e acompanhe as reflexões, experiências e debates que marcaram esse encontro.

1º Fórum da Mulher Médica do CRM-MG

Crédito (foto): Glaucia Rodrigues

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