
A Coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CRM-MG, conselheira do CRM-MG e conselheira federal, Cibele Alves de Carvalho
O CRM-MG instituiu em março deste ano a Comissão da Mulher Médica, por meio da Resolução Plenária 488/2026. A conselheira do CRM-MG e do Conselho Federal de Medicina, Cibele Alves de Carvalho, destaca a importância da iniciativa, que teve como primeira ação o I Fórum de Mulheres Médicas do CRM-MG, confira abaixo a entrevista concedida ao Jornal do CRM-MG.
1) Qual o propósito central desta comissão?
As mulheres médicas já são maioria na medicina. A ideia de criar uma comissão de mulheres médicas do CRM-MG é um passo muito importante para a representatividade e valorização das médicas mineiras. As Comissões desempenham um papel importante e de grande impacto ao liderar discussões estratégicas sobre temas tais como a igualdade de condições de trabalho, saúde mental, equilíbrio entre a vida pessoal e a profissão, e estímulo à liderança feminina. Além disso, há também estratégias que podem ser desenvolvidas para a proteção das mulheres contra a violência laboral e do assédio no ambiente de trabalho.
2) Quando surgiu a ideia da criação dessa comissão?
Desde o último censo do CFM, em que as mulheres passaram a ser a maioria na medicina, passamos a perceber a necessidade de um fórum para a discussão de temas específicos afeitos às mulheres médicas no exercício de sua profissão.
3) Quem vai integrar a comissão, como ela será formada?
A comissão é formada pelas 12 mulheres conselheiras do CRM-MG.
4) Há uma data marcada para o início dos trabalhos dessa comissão?
A comissão passou a atuar em março de 2026, mês em que se celebra o Dia Internacional da mulher.
5) Quais serão as primeiras ações que darão início ao trabalho dessa comissão?
Aproximar de outras Comissões de mulheres médicas do Sistema Conselhal a fim de criar, uniformizar e fortalecer as ações em prol das mulheres médicas. Além disso, já organizamos o 1º Fórum de Mulheres Médicas do CRM-MG, no dia 27 de agosto de 2026.
6) Quais temas terão prioridade na agenda de trabalho dessa comissão?
Os temas que interessam as mulheres médicas são muitos, entre os quais destacaremos o panorama atual da mulher na medicina; mulheres médicas transformando a medicina; equilíbrio entre a carreira médica e a vida pessoal; e liderança feminina na medicina: desafios e perspectivas.
7) Como o fato de as mulheres já representarem a maioria entre os médicos no Brasil pode impactar as ações da comissão?
O fato de as mulheres já representarem a maioria entre os médicos brasileiros é justamente um dado que dá ainda mais relevância à existência de uma Comissão de Mulheres Médicas. Ao criarmos a Comissão, a questão deixa de ser apenas ‘quantas somos’ e passa a ser ‘qual é o impacto dessa maioria na medicina que estamos construindo?’. Ser maioria numérica não significa necessariamente ocupar os espaços de decisão, liderança e poder na mesma proporção. Ainda precisamos olhar para as diferenças de remuneração, para a dupla ou tripla jornada, para a maternidade, para o envelhecimento dos pais, para a violência e o assédio, para a síndrome da impostora e, principalmente, para a presença das mulheres nos cargos de liderança e nas estruturas que definem os rumos da profissão.
Por isso, acredito que a Comissão não deve ser uma comissão apenas ‘para mulheres’. Ela deve ser uma comissão sobre a transformação da medicina a partir da realidade das mulheres, que hoje são maioria na profissão. Dessa forma, existe uma oportunidade muito importante aí: se somos maioria, temos também a possibilidade de mudar a cultura médica. Podemos discutir modelos de trabalho mais sustentáveis, ambientes profissionais mais seguros, novas formas de liderança, de conciliação entre vida profissional e pessoal e de uma medicina mais humana e inclusiva. A Comissão pode, portanto, atuar como um espaço de escuta, produção de conhecimento, proposição de políticas e formação de lideranças femininas. E, ao mesmo tempo, ajudar a mostrar que as questões das mulheres médicas não são questões individuais — são questões que dizem respeito ao futuro da própria medicina. O desafio da comissão não é apenas falar sobre as mulheres na medicina, é garantir que a presença majoritária das mulheres seja capaz de transformar a medicina para um bem maior.
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